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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Cinema, Infância e a Docência na Educação Infantil: Poéticas e Culturas Infantis em Movimento


CINEMA, INFÂNCIA E A DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: POÉTICAS E CULTURAS INFANTIS EM MOVIMENTO

DIA 03/06/2015 - (Quarta-feira)
08h00 às 10h00
Centro de Eventos UFSC
Campus Trindade
Florianópolis/SC

Adriana Alves da Silva
GEPEDISC Culturas Infantis/UNICAMP

Eloisa Rocha
NUPEIN/CED/UFSC
Coordenação de mesa

Atividade na Programação do:

III Seminário Temático do Curso de Especialização em Docência na Educação Infantil – NDI/CED/UFSC

Encontro do Foco Pró-Docência Formação Continuada para Profissionais em Atuação na Educação Infantil das Redes Públicas de Ensino de Santa Catarina

01 a 03 de junho/2015
Centro de Eventos
UFSC
Florianópolis/SC


Programação completa, clicando aqui.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

14ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis abre inscrições para filmes


“O Balãozinho Azul” de Fauston da Silva (DF) foi o Melhor Filme – Júri Especial das Crianças em 2014

14ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis abre inscrições para filmes

Evento pioneiro no país contará com programação competitiva e não-competitiva, além de debates, encontros e palestras sobre o atual momento do audiovisual brasileiro para crianças.

A partir desta quinta-feira (08/01) estão abertas até 7 de março as inscrições para a 14ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que ocorre no Teatro Governador Pedro Ivo Campos, de 5 a 14 de junho de 2015. Podem participar da seleção produções nacionais de todos os gêneros e formatos de curta-metragem, preferencialmente inéditas em Santa Catarina.

As obras serão exibidas na mostra competitiva e não-competitiva. Em uma parceria com a TV Brasil, o festival premia o Melhor Filme de Animação, de Ficção e a Melhor Série, escolhidos por um Júri Oficial, e também dá voz as crianças, com o Prêmio Especial escolhido pelo público infantil. Todos receberão o prêmio aquisição da TV Brasil no valor de R$ 5 mil.

O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis em:

Todo o processo é online, incluindo o envio dos filmes. A relação das obras selecionadas será divulgada no início de abril.

Os filmes inscritos e selecionados serão exibidos gratuitamente aos estudantes da rede pública e particular de ensino durante os dias de realização da Mostra e em mostras itinerantes em comunidades na Grande Florianópolis e outros municípios catarinenses.

Em 2014, por meio do Circuito Estadual de Cinema Infantil, o evento – um dos únicos no Brasil voltados à produção audiovisual com linguagem para crianças e adolescentes – atingiu cerca de 100 mil espectadores em todo o estado, com exibição de mais de 80 filmes da produção brasileira atual.

A Mostra, pioneira no país, promove o fortalecimento e a circulação do cinema brasileiro voltado às crianças e jovens e discute questões ligadas à educação, à cultura e ao audiovisual para a infância, além de promover uma ampla inclusão social. É uma realização da Lume Produções Culturais, com apoio do Núcleo de Ação Integrada e patrocinadores.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail
ou pelo telefone (48) 3065 5058.


08 jan 2015

sábado, 1 de novembro de 2014

“Trampolim do Forte”: o filme de João Rodrigo Mattos no CCE/UFSC com exibição comentada


TRAMPOLIM DO FORTE

Exibição comentada do longa “Trampolim do Forte” com o diretor João Rodrigo Mattos, o produtor executivo Alexandre Basso e a diretora de produção Lia Mattos

05 de novembro de 2014 (quarta-feira)
19 h
Auditório Henrique Fontes do CCE/UFSC
Campus Trindade . Florianópolis
Entrada franca

O PACT - Grupode Pesquisa em Performance, Artes Cênicas e Tecnologia da UFSC - apoia e convida para a exibição do longa “Trampolim do Forte”, de João Rodrigo Mattos, com a presença do diretor e equipe.

Depois de circular em diversos festivais nacionais e internacionais Trampolim do Forte foi exibido no circuito comercial em grandes cidades, mas não chegou ainda nas salas de Florianópolis. A Sessão comentada na UFSC terá a presença do diretor João Rodrigo Mattos, do produtor executivo Alexandre Basso e da diretora de produção Lia Mattos.

O filme cria uma narrativa visceral e mágica da realidade das crianças que vivem nos entornos do Porto da Barra, em Salvador, marcadas por uma amizade intensa, tão presente no local quanto o turismo sexual e o trabalho infantil. Trampolim apresenta um elenco infantil marcante e traz nomes consagrados no cinema nacional, como Marcélia Cartaxo, Luis Miranda, Zéu Britto, entre outros.

História

O Trampolim do Forte da praia do Porto da Barra é o ponto de encontro das crianças saltadoras. Entre elas estão Déo e Felizardo, grandes amigos que também fazem dos saltos do Trampolim a sua válvula de escape.

A vida de trabalho nas ruas não é fácil e Felizardo, 10 anos, precisa vender seus picolés para ajudar a mãe e a igreja. É num desses dias difíceis que ele cruza com Fuleirinho e sua turma. Entre os sonhos de criança e as surpresas do mundo adulto, Felizardo encontra-se na encruzilhada entre o bem e o mal e precisa tomar suas próprias decisões.

Déo, 12 anos, é um mestre do salto do Trampolim, conhecido por todos que frequentam os dias e as noites de uma das mais badaladas praias brasileiras. Em casa, porém, as coisas não estão bem e ele acaba se vendo em meio a uma trama perigosa, envolvendo seus amigos, a bela moreninha Tetéia e o temível “Verdadeiro Tadeu, o Rei das Criancinhas”.

É um drama humano que traz na sua narrativa doses equilibradas de aventura, drama, suspense, humor, romance e poesia imagética, numa história mágica e incrivelmente real.

Trampolim do Forte transcende a estória de crianças que vivem em situações limite. Na verdade trata-se de um filme sobre a importância da infância.

Trampolim do Forte

Longa Metragem / 35mm / Ficção
Brasil, 90 MIN, 2010
Escrito e Dirigido por João Rodrigo Mattos
Produzido por DocDoma Filmes / Brasil
Co-produzido por UD Film / Alemanha
Classificação Etária: 16 anos
Distribuição: Pipa Distribuidora

Ficha Técnica

Roteiro & Direção: João Rodrigo Mattos
Produção Executiva: Alexandre Basso
Diretora de Produção: Lia Mattos
Diretor de Fotografia: Pedro Semanovischi
Diretor de Arte: Henrique Dantas
Montador: Bau Carvalho
Trilha Sonora: Lourimbau, Robertinho Barreto, Andre T. e Alexandre Lins | Participação especial: Ivan Bastos
Som: Uwe Dresch
Figurino: Diana Moreira
Maquiagem: Wilson Dargolo

Elenco

Luis Miranda (Reverendo)
Marcelia Cartaxo (Do Céu)
Zéu Britto (FãClube)

Apresentando as crianças:
Lúcio Lima (Déo)
Adaílson Santos (Felizardo)
Everton Costa  (Fuleirinho)
Laís Rocha (Flor da Pele)

Saiba mais sobre o filme, clicando no site.

Assista ao trailler:

sábado, 11 de outubro de 2014

O professor ensaísta: Literatura, cinema e filosofia deveriam ser os pilares da formação de professores


Entrevista | Jorge Larrosa Bondía

O professor ensaísta

Literatura, cinema e filosofia. Para o espanhol Jorge Larrosa Bondía, estes deveriam ser os pilares da formação de professores, que poderiam, também, treinar a escrita de ensaios, como forma de aprender a organizar os pensamentos

Camila Ploennes

O professor Jorge Larrosa Bondía reivindica uma língua diferente para falar de educação. Segundo ele, os especialistas se apropriaram da linguagem pedagógica e, com ela, constroem posicionamentos do ponto de vista da desigualdade no que diz respeito aos docentes e à realidade da escola. Diante dessa análise, Larrosa - que é professor titular de teoria e história da educação na Universidade de Barcelona, doutor em pedagogia e fez estudos de pós-doutorado na Universidade de Londres e na Sorbonne (Paris) - propõe em sua obra o ensaio como gênero textual acessível a todos e que permite exercitar mudanças no pensamento, na escrita e na vida.

Para Larrosa, educar é estabelecer a relação entre a criança e o mundo; um espaço para o imprevisível. Segundo ele, ao passo que a possibilidade de subverter regras se afasta, não há educação. "Há Mickey Mouse, corporações, futuro do país", afirmou durante o seminário "Educação integral: crer e fazer", que lançou a 10ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, em São Paulo, no mês de abril.

Em sua palestra, no auditório da Fecomercio-SP, Larrosa expôs em voz alta o que parece um ensaio. Criticou os "conselhos administrativos de grandes instituições financeiras", o modismo do uso das palavras "inovação", "autonomia", "crítica" e "futuro" quando se fala sobre educação e o personagem mais emblemático da Disney - segundo ele, "um ogro sedutor de crianças que as coloca no consumo". O tom crítico da apresentação foi mantido durante a entrevista exclusiva, concedida, na sequência, à subeditora Camila Ploennes.

Durante a conversa a seguir, Larrosa diz que a tarefa principal de um educador é tornar o mundo interessante e que a arte não é instrumento para isso, mas um fundamento. Também afirma não concordar com os rankings e com o que chama de "obsessão por avaliações" em educação. "Quero dizer: o Brasil, como qualquer país do mundo, tem o direito de viver sua educação no presente e não como se estivesse atrás de alguma coisa", reflete.

No Brasil, pesquisas sobre leitura apontam que o professor brasileiro ainda está aprendendo a gostar dos livros e começando a transmitir esse gosto pelos livros para os alunos. O senhor defende o ensaio como um exercício de modificação no pensamento, na escrita e na vida. Um professor que, além de ser leitor, escreve ensaios se torna um professor melhor?

Essa reivindicação do ensaio tem uma lógica muito concreta. É que a linguagem pedagógica está capturada pela língua dos especialistas, que sempre constroem uma posição do ponto de vista da desigualdade no que diz respeito aos professores: "eu sei o que os senhores não sabem e o que eu sei é muito importante que os senhores saibam". Há essa captura da linguagem pelos especialistas e, em outro extremo, está a literatura. E eu creio que o ensaio é interessante, porque é um híbrido entre uma linguagem que tem certa vontade de expressar conhecimento, certa vontade de dizer algo, ao mesmo tempo em que não se ajusta à linguagem técnica, dos especialistas, dos funcionários, dos políticos. Então a operação tem a ver com isso, com reivindicar um pouco uma língua diferente para falar de educação. A minha mãe foi professora de creche por muitos anos. Hoje ela tem 82 anos. Ela tinha muito talento para contar histórias. Quando ela voltava para casa, tinha uma língua muito bonita para explicar as experiências de cada dia - o que aconteceu com uma criança, com um pai, numa situação escolar. Morávamos numa aldeia muito pequenininha do interior. Quando eu tinha 16 anos, nós migramos para a cidade e, então, minha mãe começou a trabalhar em uma escola que já estava altamente colonizada pela língua dos especialistas. Ela sentiu uma coisa muito particular: que a língua dela não estava autorizada, que não falava a língua dominante e então ela sentiu isso como uma humilhação. Porque ela não dominava a linguagem da psicologia, da psicologia cognitiva, das técnicas de avaliação. E se ela não dominava essa língua, era impossível falar a língua dela. Então eu creio que ao reivindicar um pouco a literatura, o direito de o professor contar histórias, estou reivindicando um pouco a minha mãe. Porque ela tinha uma língua literária, porque era narrativa, mas ao mesmo tempo tinha a vontade de transmitir uma experiência, um conhecimento, uma aprendizagem. E eu creio que essa língua está quase desaparecendo do campo educativo, então todo mundo tem de aprender a falar como os especialistas e isso é um problema, porque essa língua é feia.

Por que é feia?

Porque não diz nada, é muito abstrata e genérica, porque não transmite vida, não está feita para o concreto, para o singular. É uma língua genérica, à qual está ligado o conceito de "geral". Minha mãe não sabia falar "em geral". Então o ensaio tem essa característica de ser uma língua de cada um, uma língua singular.

Quais habilidades treinamos ao escrever ensaios?

Duas são fundamentais. Uma é a capacidade de escrever, algo que não é nada fácil. Eu sou professor universitário e vivo num país onde a maioria dos jovens tem sido altamente escolarizada e, no entanto, não sabe escrever. Um colega, professor do curso de jornalismo, me disse que, de 50 alunos que ele tem, só quatro sabem escrever. Outra é a organização do pensamento, a sensibilidade para buscar a frase adequada. Escrever é sempre uma prática interessante para expor o pensamento e pensar no que se diz.

Para o professor, escrever ensaios pode ser uma forma de autoavaliação?

Sim, porque a escrita de qualquer tipo produz certa exteriorização do próprio pensamento. Ler o que você mesmo escreve é uma das coisas mais horríveis que existem. Você sempre tem a sensação de que não conseguiu escrever o que queria e vê que poderia melhorar aqui e ali. Pode ser um sofrimento, mas o resultado disso pode ser bom.

Na sua obra, o senhor expõe que os romances de formação são muito importantes para percebermos o que somos e como nos tornamos o que somos. Conhecer essa literatura pode ajudar professores e gestores escolares a repensar como a escola se tornou o que é?

Eu creio que sim. Trabalho sempre com a filosofia, mas sempre fazendo relações com o cinema, a literatura e tentando buscar uma forma de expressão que dê certa ideia do singular e do concreto. Pode ser literatura, cinema, artes plásticas, qualquer coisa. E estou cada vez mais convencido de que se poderia organizar uma graduação completa de formação de professores somente com literatura, cinema e filosofia, sem psicologia, sem didática, deixando de fora a língua dos especialistas. Estou cada vez mais convencido de que tudo está na literatura e na arte.

Por quê?

Estou a caminho de Lisboa e lá vou trabalhar por um dia com professores de arte do ensino secundário. O tema geral é "a arte como ferramenta na sala de aula". Eu não gosto de "ferramenta", porque arte não é ferramenta, instrumento, para nada. A arte é um meio puro e não algo que sirva para um fim exterior. Parece que a arte tem a ver com uma representação de que a educação deve estabelecer uma relação entre a infância e o mundo. A tarefa principal de um educador é fazer com que o mundo seja interessante. Nada mais do que isso. A arte é o que nos traz a carga sensível do mundo. A arte é o mundo como cor, como som, como textura, como rugosidade. É como se a arte abrisse a pele do mundo e, portanto, a arte oferece o mundo sensível e não tanto o compreensível. Se a educação tem a ver com relacionar as crianças ao mundo, essa carga sensível do mundo é fundamental. Mas não porque é separada de outras coisas, senão porque é fundamental. O mundo é sensível.

Na sua palestra, o senhor expôs que hoje, quando se fala de autonomia, está se pensando, na verdade, na "construção do sujeito como cliente e como proprietário de si mesmo". Por quê?

Vivemos numa época de privatização, privatização do conhecimento e privatização da própria existência. Estamos em um mundo onde os sujeitos são levados a se considerarem proprietários de si mesmos. Eu tenho o meu corpo, minhas capacidades, meus talentos e tenho de rentabilizar aquilo de que sou propriedade. É uma lógica muito mercantil, muito estranha, considerar a si mesmo uma mercadoria que se tem de vender, um talento que se deve explorar. E me parece que a palavra autonomia vai um pouco nessa direção, em entender as pessoas como proprietárias de si mesmas. Já eu creio que a educação é por natureza comunista.

Como isso se manifesta?

Sabe o que a educação faz de interessante com a arte? Ela coloca a arte à disposição do público. É verdade que quando a arte se escolariza vira outra coisa, mas há uma coisa muito importante que passa por sua escolarização, que é o fato de a escola tornar a arte pública, comum. Arranca-a de seus proprietários e a converte em algo que não é de ninguém e, portanto, é de todos. Há uma palavra para isso, da qual eu gosto cada vez mais, que é "comunização", que não tem a ver com comunicação, mas com comunismo. É tornar comum a todos algo que é privado. E eu creio que a escola faz isso com a arte, que a escolariza e que de alguma maneira a perverte, converte a uma ferramenta e ao que quer, mas faz uma coisa muito importante, que é colocá-la à disposição de todos. Por isso me parece que a escola tem um funcionamento comunista. É nesse sentido que o comunismo tem a ver com a desprivatização das coisas, com fazer com que as coisas não sejam de ninguém, mas sejam de todos. Em que lugar está o mundo comum? Em nenhum lugar, só na educação o mundo se dá como comum e cada vez menos.

Há uma discussão sobre o papel do professor quando se fala em tecnologia na educação. Muitos falam que, com os recursos em sala de aula, o professor passa a ser um mediador do conhecimento. O senhor concorda?

Não. O professor não é um mediador. Existe um invento muito prodigioso que é a sala de aula. Uma sala de porta fechada, onde se reúnem várias pessoas e um professor, juntos, de corpo presente. A sala de aula é um espaço tridimensional, onde as pessoas estão reunidas ao redor de algo que é uma matéria de estudo. Na escola, as pessoas não estão interessadas umas pelas outras, se estão ali é porque estão interessadas pela mesma coisa, que é pelo mundo, pela matéria de estudo. Então o que acontece quando a sala de aula tem tecnologia? Ela se converte em um "entorno de aprendizagem", como se gosta de dizer agora. Esse caráter tridimensional desaparece e esse caráter "comunista" desaparece e cada um está conectado ao conhecimento de uma forma privada e particular. Mas aí a sala de aula desaparece e cada vez mais. Não é mais um espaço tridimensional, é um espaço bidimensional, como é a tela. Minha ideia é a de que cada vez mais nos relacionamos com o mundo por meio da tela, por meio do mundo bidimensional, que não tem profundidade. Quando a sala de aula se converte em um centro de conexões, esse lugar onde cada um se conecta com algo, essa dimensão do que havia de comunitário desaparece. Eu não sou contra as tecnologias, mas me parece que as tecnologias são interessantes e educativas se usadas para construir o que é comum. E se são usadas como maneiras particulares e privadas de relacionar-se com o conhecimento já não são educativas, são outra coisa.

Como elas podem ser educativas?

Quando se usam para o comum. Uma aula é construir uma conversação sobre algo comum. E uma conversação pode ser construída com vários elementos: com textos, com tecnologia, com artes, com o que for. Mas o importante é que tudo isso construa algo comum e não algo particular de cada um. E aí creio que não é uma questão de tecnologia; se é tecnologia ou não. Tem a ver com a individualização. A educação no mundo moderno vai a favor de um individualismo, da separação das pessoas. Então as tecnologias unem as pessoas ou as separam? Unem as pessoas porque as conectam e as separam, porque cada um está com seu computador, com seu Facebook, com sua televisão. Unem e separam ao mesmo tempo. Então as tecnologias são educativas quando unem e não quando separam; quando separam são outra coisa.


Em seu livro Pedagogia profana [Autêntica, 2001], o senhor propõe uma pedagogia emancipadora, libertária. Nesse sentido, qual a importância do humor, do riso, na escola?

Eu escrevi uma vez sobre a dessacralização, como algo que profana o solene, o sagrado. Quando você vai a um evento sobre educação, há vídeos com crianças sorrindo sempre. É uma imagem que virou publicitária demais: o sorriso das crianças, que estão se divertindo, passando bem, felizes. E quando eu escrevi sobre o riso, não foi nesse sentido. Foi sobre a capacidade do riso de dessacralizar saberes. Quando algo se mostra demasiadamente solene, é preciso pôr um nariz de palhaço.

Na imprensa e em eventos sobre educação, muito se fala sobre "países ou sistemas modelos de educação para o resto do mundo". O senhor já foi convidado a dar aulas em universidades de diversos países da Europa e da América Latina. Como vê esse debate?

Não existe tal coisa como um modelo e não gosto nada dessa ideia de rankings. Isso é muito perigoso, porque o ranking é uma comparação, uma hierarquização, faz com que algumas coisas sejam melhores do que outras, países sejam melhores do que outros. Além dessa dimensão vertical, introduzem uma dimensão horizontal de que há coisas mais adiantadas do que outras, têm a ver com o tempo. E então é muito estranho, porque se há um país modelo, quer dizer que estamos atrasados em relação a ele. E nesse caso só conseguimos pensar sobre nós mesmos como atrasados e isso é um problema, certo? Quero dizer: o Brasil, como qualquer país do mundo, tem o direito de viver sua educação no presente e não como se estivesse atrás de alguma coisa.

Nesse cenário, qual o papel das avaliações externas?

Existe uma obsessão por avaliação que é muito perigosa. Eu creio que se dedica mais energia e dinheiro para avaliar o funcionamento dos procedimentos do que aos próprios procedimentos. Não faz muito tempo que um professor universitário dedica 70% de seu tempo a avaliar e ser avaliado, a fazer relatórios para ser avaliado ou a formar comitês de avaliação. E me parece que isso está começando a ser feito na escola primária e na escola secundária, que passam a dedicar mais tempo a avaliações do que a fazer coisas. E isso não pode acontecer, porque a avaliação não pode se converter em uma finalidade em si mesma. Parece que há uma obsessão perversa por avaliação, que tem a ver sempre com o mercado, que diz ser preciso determinar o valor das coisas, dizer que isso vale mais do que aquilo.

Na sua apresentação, o senhor falou que os "ogros amam as crianças" e exemplificou isso dizendo que o nascimento delas é "capturado pelos estados", que têm o intuito de "formar o futuro dos estados e seus povos". Quais são os ogros da educação?

O Mickey Mouse e os bancos, mas deve haver mais. Talvez seja necessário deixar as crianças um pouco em paz. A escola, como quase tudo hoje em dia, está submetida a uma espécie de velocidade vertiginosa. É preciso fazer tantas tarefas e cumprir tantos objetivos, que tudo se torna angustiante.

Reproduzido de Revista UOL Educação (Maio 2013)
11 out 2014

Leia também a entrevista de Jorge Larrosa, "A escola e o supermercado dos prazeres" (2005) no Boletim da UFMG clicando aqui.

domingo, 29 de junho de 2014

Cinema nas escolas agora é lei: LDB e filmes de produção nacional


Cinema nas escolas agora é lei: LDB e filmes de produção nacional

As escolas de todo o país são obrigadas a exibir filmes de produção nacional, no mínimo, duas horas por mês. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

Assinada pela presidenta Dilma Rousseff e pelo ministro da Educação, José Henrique Paim a lei modifica o texto das diretrizes básicas da educação do país, para incluir a exibição dos filmes nacionais como componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica das escolas.

Lei 9.394 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), que estabelece as diretrizes e bases da educação do país, já prevê, entre outros pontos que a música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular, assim como o ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais. A lei ainda estabelece como obrigatório, o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Compilado de EBC
27 jun 2014

Lei 13.006 publicada em 26/06/14 é o coroamento dos esforços da PL 7507/2010, encaminhada pelo Senador Cristovam Buarque (PDT/DF) em 2010.


Grande Otelo em Macunaíma (1969) . Direção de Joaquim Pedro de Andrade

Confira o texto da lei:


Acrescenta § 8o ao art. 26 da Lei no. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para obrigar a exibição de filmes de produção nacional nas escolas de educação básica.

A  PRESIDENTA DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o O art. 26 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido do seguinte § 8o:

"Art. 26. ...................................................................................
.................................................................................................

§ 8o A exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais." (NR) Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 26 de junho de 2014; 193º. da Independência e 126º da República.

DILMA ROUSSEFF
José Henrique Paim Fernandes
Marta Suplicy

terça-feira, 6 de maio de 2014

Adriana Alves da Silva: A estética da infância no cinema (Tese de doutorado)

Adriana Alves da Silva, da Faculdade de Educação da Unicamp, fala sobre sua tese de doutorado "A estética da infância no cinema: poéticas e culturas infantis" no Programa "Fala, Doutor" no canal da UNIVESP TV. Entrevista a Rodrigo Simon.

Adriana busca criar um panorama da produção cinematográfica que trate de infância, classificando as produções em: filmes para crianças, filmes das crianças e filmes com crianças.



Universidade Estadual de Campinas
Faculdade de Educação

Tese
2014

Título: A estética da infância no cinema (The aesthetics of childhood on cinema)
Autora: Adriana Alves da Silva
Orientadora: Profa. Dra. Ana Lúcia Goulart de Faria

Resumo: A presente tese de doutorado apresenta os frutos de um processo de pesquisa e criação, buscando articular artes e ciências humanas. Em seu prólogo expõe brevemente o processo de construção do trabalho, destaca os capítulos, suas imagens, emaranhando as trajetórias da pesquisa e a minha de pesquisadora.

A tese está dividida em dois momentos, o primeiro que situa a pesquisa a partir da busca de um entrelaçamento de tempos distintos e complementares de minha trajetória pessoal e acadêmica, no intuito de construir uma linguagem autoral que permitiu criar uma exposição, na qual a forma e o conteúdo do meu tema: a estética da infância e a produção das culturas infantis vão sendo experimentadas entre a descrição narrativa, análise fílmica e as articulações teóricas e literárias.

No segundo momento proponho algumas reflexões sobre o cinema como linguagem audiovisual que permite pensar, criar e construir possibilidades estéticas de uma infância, enquanto tempo a ser inventado e construído na interface das experiências históricas do passado, do presente e do futuro, ou seja, cinemas e infâncias no plural, na diversidade e multiplicidade de pontos de vista. Entre os textos, abri interstícios visuais para potencializar as imagens que estão nas linhas e entrelinhas do texto escrito.

Muitos filmes foram evocados durante a pesquisa, como referências iniciais, busquei as relações entre infância, cinema e memória das Ditaduras Militares no Brasil e na América Latina, trazendo reflexões acerca de “A História Oficial” e “Infância Clandestina” (Argentina, 1985 e 2012 respectivamente), “Machuca” (Chile-Espanha, 2004), “A Culpa é do Fidel” (França, 2006), “O Labirinto do Fauno” e “A Espinha do Diabo” (Espanha-México, 2006, 2001 respectivamente) e “O ano em que meus pais saíram de férias” (Brasil, 2006); somando a estes no percurso, busquei a “criança estrangeira” em “Abril Despedaçado” (2001) e “Mutum”(2006), ambos produções brasileiras.

Neste caleidoscópio de imagens e palavras, buscando construir uma metodologia antropofágica e alquímica, entre outros trago como referências Walter Benjamim, Pier Paolo Pasolini, Andrei Tarkoviski, Fredric Jameson, Leandro Konder, Milton de Almeida. Crianças e infâncias no neo realismo do cinema italiano de Roberto Rosselini à pedagogia da infância e da maravilha de Loris Malaguzzi.

Encerro com um epílogo-experimento criativo, um desvio final para alimentar o pensamento acerca da totalidade desta tese e seu percurso metodológico de pesquisa e criação em educação, elegendo o cinema de autor, político, de poesia como referência. Cinema que constroi e descontroi infâncias, através de filmes para as crianças, filmes das crianças e com as crianças. Em todas as frentes a perspectiva foi e é de contribuir no processo histórico no presente, com as crianças e as culturas infantis que alimentam nossos sonhos e utopias de uma educação emancipatória, transgressora e libertária.

Palavras-chave: infâncias; cinema; estética, educação; culturas infantis. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ciranda de Filmes: primeira mostra de cinema focada em educação e infância do Brasil


São Paulo receberá mostra de cinema com foco em educação e infância

Ciranda de Filmes trará filmes inéditos, nacionais e estrangeiros, além de rodas de conversa com especialistas.

De 31 de março a 3 de abril, a Ciranda de Filmes, uma co-realização do Instituto Alana, do Circuito Cinearte e da Aiuê Produtora de Conteúdo, com patrocínio do Instituto Alana e Península, vai exibir filmes em três eixos temáticos: nascimento e infância, espaços de aprendizagem e movimentos de transformação.

Com curadoria de Fernanda Heinz Figueiredo e Patrícia Durães, essa é a primeira mostra de cinema focada em educação e infância do Brasil – e uma das poucas do mundo. Na abertura, na noite do dia 31 de março, acontecerá a pré-estreia do documentário “Tarja Branca” – uma produção da Maria Farinha Filmes com direção de Cacau Rhoden – e uma apresentação especial com o artista Antonio Nóbrega, fundador do Instituto Brincante.

Durante o festival também será lançado o Pequeno Fugitivo, filme americano da década de 50, dirigido por Ray Ashley e Morris Engel, citado por François Truffaut como um dos grandes inspiradores da Nouvelle Vague.

Todos os dias haverá uma roda de conversa com a presença de um diretor dos filmes exibidos, além da participação de três especialistas. Maria Amélia Pereira (Péo), pedagoga e fundadora do Centro de Estudos Casa Redonda, Stela Barbieri, educadora, artista plástica e curadora educacional da Fundação Bienal de São Paulo, Renata Meireles, pesquisadora e criadora do Projeto Território do Brincar e German Doin, diretor do filme La Educación Prohibida, são alguns dos especialistas que participarão dessas rodas.

De acordo com Ana Claudia Arruda Leite, do Instituto Alana e que integra a Coordenação Geral da Ciranda de Filmes, “a mostra é um grande caldeirão poético, que pretende nos conectar com a essência da infância e inspirar educadores e pais a construírem experiências ricas em sentido e aprendizado para si e para as novas gerações”.

Mais informações no site: www.cirandadefilmes.com.br

Serviço

Local: Cine Livraria CulturaConjunto Nacional

Av. Paulista, 2073, Bela Vista, São Paulo, SP
Tel. (11) 3285-3696
Data: 31/03 a 03/4
Horário: das 9h às 18h

Inscrições gratuitas no link

Reproduzido de Instituto Alana

20 fev 2014